O Botafogo completou, neste sábado (31 de janeiro de 2026), a marca negativa de um mês sob transfer ban imposto pela Fifa. A punição, decorrente de uma dívida de US$ 30 milhões com o Atlanta United pela compra de Thiago Almada, impede o clube de registrar novos reforços e trava o planejamento esportivo para a temporada.
Apesar de John Textor afirmar publicamente que a situação está "resolvida", o bloqueio persiste no sistema da entidade máxima do futebol. Nos bastidores, o clima é de tensão máxima entre a diretoria da SAF e o clube associativo, com auditorias externas e conflitos administrativos que colocam em xeque o modelo de gestão do empresário norte-americano.
O que é o Transfer Ban e por que o Botafogo não consegue contratar?
O transfer ban é uma sanção da Fifa que proíbe um clube de registrar novos atletas em competições nacionais e internacionais. No caso do Botafogo, a punição começou a valer no último dia de 2025 e abrange as próximas três janelas de transferências, a menos que a dívida com o Atlanta United seja quitada.
A pendência financeira, atualizada em US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 157,7 milhões), engloba o valor da transferência, bônus por metas e uma cláusula de revenda destinada ao Atlético de Madrid. Enquanto o dinheiro não entra na conta dos americanos, o Botafogo segue com as mãos atadas no mercado.
Jogadores que aguardam a regularização
Atualmente, cinco atletas já treinam no CT Lonier, mas não podem estrear sob o comando de Martín Anselmi:
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Zagueiros: Ythallo e Riquelme.
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Lateral-esquerdo: Jhoan Hernández.
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Volante: Wallace Davi.
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Atacante: Lucas Villalba.
O polêmico aporte de US$ 50 milhões e a auditoria em São Paulo
Para resolver o problema, John Textor propôs um aporte de US$ 50 milhões (R$ 263 milhões). No entanto, o que deveria ser uma solução virou motivo de discórdia. O clube associativo vê a operação como um "empréstimo a juros abusivos" e exigiu que um banco especializado realize uma auditoria externa antes de aprovar a transação.
Nesta sexta-feira, Textor e o presidente do associativo, João Paulo Magalhães Lins, viajaram a São Paulo para tratar do tema. O clima entre os dois é descrito como "pacífico", mas o rigor da auditoria reflete a falta de confiança de parte da cúpula alvinegra nos termos financeiros propostos pela Eagle Football.
Resumo da Dívida e do Acordo Proposto
| Credor / Item | Valor (USD) | Status |
| Atlanta United (Principal) | US$ 21 milhões | Pendente |
| Bônus de Performance | US$ 4 milhões | Pendente |
| Cláusula Atlético de Madrid | US$ 5 milhões | Pendente |
| Total da Dívida | US$ 30 milhões | Aguardando Pagamento |
| Proposta de Aporte | US$ 50 milhões | Em auditoria |
Comparação com Emil Pinheiro: O medo do "efeito ioiô"
A instabilidade financeira e política fez surgir um fantasma no Nilton Santos: o de Emil Pinheiro. O ex-investidor, figura central no fim do jejum de 21 anos do Glorioso, montou times fortes no final dos anos 80, mas sua saída repentina deixou o clube em terra arrasada.
O jornalista Paulo Vinícius Coelho (PVC) destacou que correntes políticas do Botafogo temem que a história se repita. Se Textor enfrentar problemas maiores com seus credores internacionais (como a Ares Management, a quem deve US$ 450 milhões), o impacto no futebol brasileiro pode ser catastrófico. A preocupação é se o Botafogo é um projeto sustentável ou apenas um ativo em uma pirâmide financeira global.
Conflitos Internos: A tentativa de demissão de Thairo Arruda
A quinta-feira foi de caos administrativo. John Textor chegou ao estádio "pilhado" e tentou demitir o CEO da SAF, Thairo Arruda. O movimento, contudo, foi barrado por uma liminar judicial. O choque de realidade veio quando o empresário percebeu que não possui poder absoluto frente aos acordos de governança estabelecidos na fundação da SAF.
Embora Textor tenha tentado minimizar o atrito postando uma foto com Thairo chamando-o de "irmãozinho", o desgaste é evidente. O CEO tem sido uma das vozes que questionam as condições do novo empréstimo de US$ 50 milhões, defendendo a saúde financeira do clube a longo prazo.
O cenário global: Crise na Bélgica e Lyon
O Botafogo não é o único foco de incêndio na Eagle Football. Na Bélgica, o RWDM Brussels vive uma crise de insolvência. Com salários atrasados e na 11ª posição da segunda divisão, o clube deve ser vendido em breve.
Essa "implosão" em outras frentes do conglomerado de Textor aumenta a pressão no Rio de Janeiro. A venda forçada de joias da base, como as negociações barradas de Danilo e Álvaro Montoro para o Nottingham Forest por valores considerados baixos (€ 8 milhões), sugere uma necessidade urgente de liquidez para cobrir buracos em outras empresas do grupo.
Análise Crítica: O impacto no campo vs. Gestão
Enquanto a gestão bate cabeça, o time responde. A goleada de 4 a 0 sobre o Cruzeiro mostrou que o elenco de Martín Anselmi é competitivo. Contudo, o futebol profissional não sobrevive apenas de talento em campo. Sem a inscrição dos novos reforços e com o risco de perda de peças fundamentais para pagar dívidas de outras frentes da Eagle Football, o Botafogo caminha sobre uma corda bamba em 2026.
O que o torcedor pode esperar?
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Liberação do Transfer Ban: Depende exclusivamente da aprovação da auditoria do empréstimo ou do pagamento "do próprio bolso", como prometido por Textor.
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Manutenção do Elenco: A Justiça tem sido a principal aliada do torcedor ao impedir vendas subfaturadas.
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Governança: A tendência é de um isolamento maior de John Textor, com o conselho associativo exigindo mais transparência.
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