O Botafogo vive um momento de intensas movimentações em seus bastidores financeiros e administrativos. A divulgação do balanço financeiro do Lyon referente à temporada 2025/2026 trouxe à tona o registro de uma baixa contábil expressiva de € 109,6 milhões em créditos a receber da SAF alvinegra, acompanhada de disputas jurídicas que envolvem transferências de atletas. Paralelamente, o ranking de endividamento publicado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) colocou o clube entre as maiores dívidas do país, reforçando a relevância do processo de recuperação judicial em andamento.
Enquanto a diretoria lida com o passivo estrutural e planeja aportes via novos investidores para evitar a venda precipitada de seus principais ativos, questões operacionais do dia a dia também demandam atenção imediata. Das cobranças por melhorias na infraestrutura do Estádio Nilton Santos ao aluguel da praça esportiva para clássicos estaduais e a reestruturação das categorias de base após contratempos regulamentares, o Glorioso enfrenta um cenário complexo e estratégico.
1. Lyon registra baixa contábil de € 109,6 milhões e detalha disputas por jogadores
O balanço financeiro do Lyon referente ao exercício 2025/2026, encerrado em 30 de junho de 2026 e divulgado em 21 de outubro de 2026, apontou o registro de uma perda contábil de € 109,6 milhões (aproximadamente R$ 618,5 milhões na cotação reportada) em valores que o clube francês tinha a receber da SAF do Botafogo. A baixa contábil reflete a avaliação contábil do Lyon de que tais ativos apresentam menor probabilidade de recuperação rápida diante da reestruturação financeira da SAF alvinegra. No entanto, o ajuste contábil interno da equipe francesa não significa uma condenação judicial contra o Botafogo, tampouco a extinção ou o perdão formal das obrigações contratuais entre as partes.
O relatório financeiro detalha três frentes de disputas jurídicas que envolvem transações financeiras e cessões de atletas ocorridas no período em que ambas as instituições mantinham vínculo sob o controle majoritário da Eagle Football, de John Textor. Entre os litígios listados, consta a ação movida por uma empresa de factoring contra o Lyon na Justiça britânica, referente à transferência do atacante Igor Jesus, com cobrança fixada em US$ 43 milhões (R$ 216 milhões), acrescida de juros e multas. Outra pendência envolve a cobrança de € 28,5 milhões (R$ 161 milhões) no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) por operações atreladas aos atletas Savarino e Jair, além de uma representação do Lyon contra o Botafogo na Fifa relacionada à negociação do atacante Jeffinho.
| Processo / Atleta | Foro / Órgão | Valor Envolvido | Status Reportado |
| Operação Igor Jesus | Justiça Britânica | US$ 43 milhões | Em andamento (Factoring x Lyon) |
| Operações Savarino e Jair | CAS (Tribunal Arbitral) | € 28,5 milhões | Em andamento (Factoring x Lyon) |
| Transferência Jeffinho | FIFA | Não detalhado | Em andamento (Lyon x Botafogo) |
| Créditos SAF Botafogo | Balanço Interno Lyon | € 109,6 milhões | Ajuste contábil (Redução de ativo) |
Ademais, o balanço revelou a extinção de € 242,2 milhões em dívidas do Lyon com a Eagle Bidco e empresas afiliadas, manobra que colaborou para reduzir o prejuízo líquido do clube francês de € 201,2 milhões na temporada anterior para € 87,3 milhões em 2025/2026. É importante ressaltar que a eliminação dessas obrigações diz respeito estritamente aos débitos internos do clube de Lyon com a antiga estrutura corporativa da Eagle, não alterando a natureza dos créditos ou das cobranças direcionadas à SAF do Botafogo.

Por Thiago Guedes














