O Botafogo vive um início de semana marcado pela tensão e por decisões urgentes dentro e fora dos gramados. Após uma derrota contundente por 3 a 0 para o Internacional no Beira-Rio, o Glorioso estacionou nos 39 pontos no Campeonato Brasileiro, mantendo uma distância perigosa de apenas seis pontos em relação à zona de rebaixamento. O resultado expôs fragilidades táticas evidentes e aumentou drasticamente a cobrança sobre o trabalho do técnico Tite.
Enquanto a comissão técnica tenta ajustar o elenco para a sequência decisiva do Brasileirão, bastidores e outras modalidades movimentam General Severiano. A semana começa com o início da demolição histórica das arquibancadas do Estádio Caio Martins, em Niterói, desfalque importante por suspensão para o próximo compromisso no Pará e tropeço do basquete no NBB. Confira a seguir a análise aprofundada de tudo o que afeta o momento do Botafogo.
1. Atuação apática no Beira-Rio acende alerta e rende críticas severas de Rafael Sóbis
A atuação do Botafogo na derrota por 3 a 0 para o Internacional acendeu o sinal vermelho no Alvinegro. Durante o programa "Fechamento SporTV", o ex-atacante e comentarista Rafael Sóbis não poupou palavras ao analisar a apatia coletiva apresentada pela equipe em Porto Alegre. Segundo o analista, se não fossem pontos somados anteriormente contra adversários diretos, como a Chapecoense, o clube estaria mergulhado em uma briga direta contra o rebaixamento.
A crítica de Sóbis expõe uma ferida aberta no planejamento do futebol botafoguense. O time mostrou-se desprovido de repertório ofensivo e sem capacidade de reação defensiva quando agredido. Enquanto o Internacional sobrou em campo mesmo com desfalques importantes, o Botafogo parecia desorganizado e sem a intensidade exigida em um confronto desse porte no Brasileirão.
Do ponto de vista analítico, o desempenho do Botafogo reflete uma perigosa desconexão tática. Depender apenas de lampejos individuais em uma reta final de campeonato é um risco desnecessário para um clube que precisa garantir sua permanência o quanto antes. O alerta emitido por comentaristas e torcedores não é exagero: se o elenco não resgatar a postura competitiva, as últimas rodadas do torneio serão dramáticas.
2. Início de Tite na SAF iguala pior marca histórica de Tiago Nunes
O trabalho do técnico Tite no comando do Botafogo começou sob forte desconfiança dos números. Com apenas uma vitória, um empate e três derrotas nos seus primeiros cinco jogos, o treinador atingiu um aproveitamento modesto de 26,6%. O retrospecto iguala o pior início de um treinador no clube na era SAF, marca que pertencente até então a Tiago Nunes entre o fim de 2023 e o início de 2024.
O contraste fica ainda mais evidente quando comparado ao trabalho do seu antecessor imediato, Franclim Carvalho, que registrou 73,3% de aproveitamento em suas cinco partidas iniciais. A oscilação frequente no comando técnico da SAF expõe a falta de convicção nos processos de transição de trabalho no departamento de futebol alvinegro.
Abaixo, veja o aproveitamento comparativo dos técnicos nos seus primeiros cinco jogos sob a gestão da SAF:
| Técnico | Período de Atuação | V - E - D (Primeiros 5 jogos) | Aproveitamento Inicial |
| Franclim Carvalho | 05/04/26 a 18/08/26 | 3V - 2E - 0D | 73,3% |
| Bruno Lage | 07/07/23 a 03/10/23 | 2V - 3E - 0D | 60,0% |
| Artur Jorge | 05/04/24 a 03/01/25 | 3V - 2D - 0E | 60,0% |
| Luís Castro | 25/03/22 a 30/06/23 | 2V - 2E - 1D | 53,3% |
| Davide Ancelotti | 08/07/25 a 17/12/25 | 3V - 0E - 2D | 53,3% |
| Lúcio Flávio | 03/10/23 a 14/11/23 | 2V - 1E - 2D | 46,6% |
| Renato Paiva | 27/02/25 a 30/06/25 | 2V - 1E - 2D | 46,6% |
| Martín Anselmi | 22/12/25 a 22/03/26 | 2V - 0E - 3D | 40,0% |
| Tiago Nunes | 16/11/23 a 22/02/24 | 0V - 4E - 1D | 26,6% |
| Tite | 17/09/26 até o presente | 1V - 1E - 3D | 26,6% |
O momento exige uma intervenção rápida de Tite. Pressionado pelos resultados e pela falta de evolução no estilo de jogo, o treinador precisará provar que sua vasta experiência é suficiente para reverter um cenário que coloca a reta final do Botafogo sob forte tensão moral e financeira.
3. Caio Martins começa a ser demolido para obra de contenção de enchentes em Niterói
Uma página marcante da história do Botafogo começou a ser fisicamente desfeita na última sexta-feira (23/10). As arquibancadas do lendário Estádio Caio Martins, em Niterói, começaram a ser demolidas para dar lugar a um reservatório de contenção contra alagamentos. A intervenção, conduzida pela Prefeitura de Niterói, prevê a criação de uma estrutura com capacidade para 80 milhões de litros de água, com prazo de execução fixado em 36 meses.
O Caio Martins ocupa um lugar especial na memória afetiva do torcedor alvinegro. Casa do clube entre a década de 1990 e o início dos anos 2000, o estádio foi o grande caldeirão e pilar do acesso na Série B do Campeonato Brasileiro de 2003. Contudo, o Glorioso deixou de gerir o complexo em 2021, após anos de degradação do espaço, que já não recebia uma partida oficial da equipe principal desde o Brasileirão de 2004.
A transição do espaço para um parque público com áreas esportivas e um piscinão resolve uma demanda histórica de macrodrenagem do Rio Icaraí. Para o Botafogo, o fim das estruturas do Caio Martins simboliza a virada definitiva de página entre a era dos estádios tradicionais e a gestão moderna focada no Estádio Nilton Santos, encerrando melancolicamente a trajetória do seu antigo caldeirão.
4. Felipe Melo e Denílson apontam "nó tático" de Eduardo Baptista sobre Tite
A derrota para o Internacional não trouxe apenas prejuízos na tabela, mas também escancarou a fragilidade tática do Botafogo. No programa "Fechamento SporTV", o comentarista Felipe Melo afirmou sem rodeios que o técnico Eduardo Baptista aplicou um "nó tático" no comandante botafoguense. A leitura de jogo do Inter anulou as saídas de bola do Glorioso e travou os principais articuladores alvinegros desde os minutos iniciais.
Denílson reforçou as críticas destacando a falta de identidade coletiva do Botafogo nesta fase da temporada. Segundo o ex-jogador, é preocupante que a equipe não tenha um padrão de jogo definido a poucas rodadas do término do Campeonato Brasileiro. A incapacidade de adaptar o esquema durante a partida deixou o time vulnerável às dobras de marcação impostas pelo adversário gaúcho.
As análises ressaltam os principais problemas enfrentados pelo treinador no comando técnico:
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Falta de preenchimento no meio-campo: O setor ficou desprotegido, permitindo que o adversário criasse chances sem resistência.
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Ausência de identidade tática: O time altera comportamentos sem consolidar um modelo de jogo eficiente.
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Lentidão nas substituições: Tite demorou a reagir às alterações promovidas pelo banco do Internacional.
A cobrança sobre Tite atinge seu ponto mais alto. Com um elenco caro e de alto investimento, o Botafogo precisa apresentar respostas táticas imediatas para evitar tropeços que custem caro no encerramento da competição.
5. Basquete do Botafogo sofre virada dolorosa para o Pato no fim pelo NBB
No basquete, a semana também começou com resultado amargo para a torcida alvinegra. O Botafogo sofreu sua segunda derrota consecutiva no Novo Basquete Brasil (NBB) ao ser superado pelo Pato Basquete por 89 a 88, no Ginásio do Sesi, em Pato Branco. A equipe carioca chegou a liderar a partida por 13 pontos no segundo quarto e mantinha quatro pontos de frente a apenas 40 segundos do estouro do cronômetro.
A desatenção nos momentos decisivos custou caro ao Glorioso. O Pato virou o marcador com uma cesta de três pontos crucial do ala Beller e selou a vitória com uma enterrada de Maicon Douglas nos segundos finais. A grande atuação individual do armador Mudronja, cestinha da partida com 28 pontos, e o duplo-duplo de JP Demétrio (16 pontos e 10 rebotes) acabaram eclipsados pelo revés dramático.
O time comandado pela comissão técnica do basquete alvinegro precisa corrigir a postura defensiva nos momentos de pressão. A equipe volta às quadras buscando a reabilitação em dois compromissos consecutivos no Ginásio Oscar Zelaya, em General Severiano:
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28/10 (Quarta-feira) - 20h: Botafogo x Caxias do Sul
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30/10 (Sexta-feira) - 20h: Botafogo x Ceisc/União Corinthians
6. Tite adota discurso de reestruturação e fixa meta nos 45 pontos
Diante do momento delicado no Campeonato Brasileiro, o técnico Tite adotei um tom realista em sua entrevista coletiva após o revés em Porto Alegre. O treinador estabeleceu como meta prioritária do Botafogo a marca dos 45 pontos, pontuação matematicamente considerada segura para afastar qualquer risco de rebaixamento para a Série B.
Tite ponderou que, apesar da grandeza histórica do Botafogo e das conquistas recentes, o momento atual do departamento de futebol é de reconstrução e encaixe de peças recém-chegadas. O treinador pediu paciência para a montagem da equipe em meio a um campeonato altamente competitivo e desgastante.
A postura cautelosa do técnico reflete a realidade da tabela, mas também liga o sinal de alerta no torcedor. Um clube que investiu massivamente em estrutura e contratações nos últimos anos não pode se acomodar com a mera permanência na elite. A pressão para que o time alcance rapidamente a meta de pontos é crucial para que o planejamento do futebol para a próxima temporada não seja comprometido.
7. Montoro é desfalque suspenso e Tite estuda opções para encarar o Remo
Para o duelo decisivo da próxima quarta-feira (28/10) contra o Remo, no Estádio Mangueirão, em Belém, o Botafogo não poderá contar com o meia Álvaro Montoro. O jogador argentino recebeu o terceiro cartão amarelo na derrota para o Internacional e cumprirá suspensão automática. A ausência obriga Tite a reformular o setor de criação da equipe titulares.
A vaga aberta na meia-praia traz opções com características distintas para a comissão técnica. Hakim Ziyech, que entrou na etapa final em Porto Alegre, é o favorito para assumir a titularidade. Outras alternativas testadas nos treinamentos envolvem as entradas de Edenílson, Kauan Toledo ou a recomposição com Lucas Villalba.
Por outro lado, o sistema defensivo pode ganhar reforços importantes na viagem ao Pará. Os zagueiros Lucas Monzón e Arthur Chaves treinaram normalmente com o grupo ao longo da semana e vivem a expectativa de liberação pelo departamento médico. A presença dos defensores é vista como fundamental para dar solidez a um setor severamente criticado nas últimas rodadas.
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Por Thiago Guedes














